sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um mundo numa escova de dentes




Passar pelas ruas, seja a trabalho ou passeio, a pé ou motorizado, é navegar pelos mares de histórias que cada pessoa traz. Cada rosto anônimo na multidão é todo um universo, uma história, uma odisseia, uma religião. São montanhas de experiências, amores, ideologias, sonhos e ressentimentos...
Sempre gostei de imaginar o que está por trás de um rosto anônimo na multidão. A quantidade de subjetivismo na escolha de uma cor de cabelo, o grito de próprio casulo querendo se exteriorizar através de uma aparentemente simples vestimenta, tudo isso me fascina.
Ontem, o que me chamou a atenção fazendo a mente perambular por hipóteses mirabolantes foi uma escova de dentes branca perdida em meio ao tráfego descomunal da avenida mais movimentada de Montes Claros.
Aquela escova ali, imóvel em meio ao tumultuado cotidiano das pessoas não tinha nada de silenciosa, talvez trazia um tanto de mistério, mas, ainda que imóvel, como dizia aquela escova!
Para alguns, ela falava de um romance, brigas, separação passional de escovas e corpos: a bolsa arrumada às pressas, um zíper aberto e, por fim, ela caída ali.
Outros juram que ela narrou que caíra de uma mochila pertencente a um jovem que passara carnaval em Diamantina e chegando repleto de sono, nem percebera o sumiço involuntário da companheira higiênica.
Os mais taciturnos delongaram numa triste história de vida, afirmando que ela era instrumento de trabalho de um lavador de carro e motos que, ao voltar cansado do trabalho, não notou quando ela caíra da sacolinha plástica.
A escova falou!!! Ali, no chão, ela era a imagem metonímica dos raros momentos em que nossa mente devaneia no eterno encantamento e enigma que é "a vida dos outros".

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Mas a vida não é um livro...


"... No livro da vida não se volta , quando se quer, a página já lida, para melhor entendê-la; nem pode se fazer a pausa necessária à reflexão. Os acontecimentos nos tomam e nos arrebatam, às vezes, tão rapidamente que nem deixam volver um olhar ao caminho pecorrido."


Lucíola- José de Alencar

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rápido comentário:

Para mim, a melhor definição do amor foi feita de forma condensada:

Amor
Humor

Poeminha pequeno de Oswald de Andrade que assim, na sua aparente singeleza, resume o ingrediente precioso para os quitudes amorosos. Há de existir o riso sempre... é a dança da alma, é o que desanuvia os olhos, é a engrenagem da vida! Rir junto com a pessoa amada é melhor que a duplinha mineira queijo com goiabada; é melhor que as noites de sexta-feira(promessa de um final de semana inteiro); melhor que feriado na segunda-feira.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Semáforo


As palavras mais densas surgem de onde não há... onde o silêncio impera e as lacunas criam frestas que sopram o vento das histórias ofuscadas. O anonimato, a falta de detalhes sobre um determinado fato, ou o simples restante não narrado de um caso instigam a alma e ela devaneia pairando sobre esses ocos inspiradores gerados pelo silêncio.
" Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores
que eu não sei o nome" (Adriana Calcanhoto_ Esquadros) e trafegando pelo vasto mundo de imagens, palavras e caos de minha cidade, deparei-me com uma declaração de amor exposta em um outdoor. Ah o amor!!! Exposto ali, no meio das mais comerciais e capitalistas das avenidas, lugar por onde todos passam para as mais atribuladas atividades e ele ali: o amor exposto assim como se fosse algo que não se percebesse, como se estivesse ali apenas para mandar um recado individual para a pessoa amada tal qual bilhete na geladeira, batom no espelho.
Apesar de exposto de forma hiperbólica em imensa placa, a declaração era realmente dirigida de forma hermética a apenas uma pessoa: não possuía o nome do destinatário, nem remetente. Não se sabe nem mesmo a opção sexual dos amantes. E o que importa? Importa é o quanto a mente trabalha ao ler aquelas letras garrafais. Interessante é o quanto se passea pelo interdito. Sabe-se apenas de um amor grande, de uma hipotética separação...tudo são cacos que se cola com a mais interessante das substâncias: a imaginação. Ao tentar entender o manancial sob aquele outdoor, entremeia-se o silêncio com cenas vividas, filmes, músicas, bilhetes...cada um pode inventar seu próprio amor e quando o semáforo se abre, todos aceleram com um sorriso breve, cada um imerso no seu próprio mundo amoroso...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

FANTASIAS....

"O peixe que não foi pescado é sempre grande." (Provérbio chinês)