sábado, 7 de agosto de 2010

Felicidade

A felicidade é o bater de asas de um pássaro colorido que às vezes vem me visitar. Ele nunca avisa quando virá, tampouco tenho presságios sobre sua chegada. Não há toques de trombeta, o tempo não para ...
Mas recebo-a como dama mais do que merecedora de sua visita. Não faço perguntas! Jamais! Para não assustar o voo macio que traz meu sorriso.Às vezes esse pássaro encantado faz seu trajeto rumo a minha felicidade através de música, outras vezes usa algumas palavras escritas ou o olhar de um amigo. Tal ave mágica também traz minha felicidade através de uma gota minúscula de esperança colhida em fontes do além. Também me visita através das frases de crianças surpresas no tudo descobrir. Ele sempre traz um pedaço de mim perdido em remotos lugares. Sei que é um pássaro frágil. Sei que vai perdurar pouco seu voo de felicidade diante dos meus olhos. Ele fugirá todas às vezes que eu tentar eternizá-lo ao meu lado. Mas ele volta!!! O FRÊMITO VOO DA FELIDADE SEMPRE VOLTA... 

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Paixão

“Se uma camisa branca e preta estiver no varal num dia de tempestade, o atleticano torce contra o vento” (Roberto Drummond)

Não, não sou atleticana! Infelizmente! Porque queria eu viver uma paixão futebolística seja lá a cor do time. Só assisto aos jogos do Brasil na copa, não sei nome de jogadores, até hoje não entendi direito o tal do impedimento, mudo de canal quando começa os programas de esporte.
Cresci em meio a uma família materna de simpáticos cruzeirenses e uma família paterna de ardorosos atleticanos. Acabei não ficando em nenhum dos lados, acho que sempre gostei de um entre-lugar. Diante da minha total ignorância futebolística de achar que o nome "Cuca" sugere apenas uma personagem do Sítio do Pica-pau Amarelo criado por Lobato e não o novo treinador do Cruzeiro , gostaria de confessar uma admiração: Sou encantada pelos apaixonados! A paixão dos adolescentes que declaram amor eterno sem saber que ainda há muito para viver, a paixão dos fãs que confudem o ídolo com todos os seus próprios sonhos, a paixão dos pais de primeira viagem ao verem o sono calmo dos filhos, a paixão da menina com seu primeiro diário, a paixão misteriosa que às vezes sentimos  por uma música que fica por dias tocando na nossa mente, o olhar apaixonado do cão pelo seu dono...e a paixão em preto e branco dos atleticanos. 

domingo, 2 de maio de 2010

Vilarejo

Para Alessandra Sena

Viajando pelo norte de Minas rumo a Januária, fiquei observando  a quantidade de pequenas vilas, como é típico nos municípios mineiros: casinhas rodeadas de tradição. Em cada distrito, a igrejinha em torno da qual surgiu a história do lugar.
No poema Janelinha de trem Mário Quintana fala sobre "o desejo de um dia ficar repousando sob uma dessas cruzes de volta de estrada que parecem também estar viajando...."
Também fiquei com vontade de subir uma daquelas montanhas e visitar aquelas igrejinhas. Sentir o cheiro da fé, dos costumes, dos quitutes e ouvir o murmúrio das rezas. Desejei pertencer a um vilarejo como aquele descrito na música de Marisa Monte . Bater palmas na porta de casa, observar gotas de chuva fazendo pequenos buracos na terra, comer doce feito com  fruta do próprio quintal e ver a vida passar devagar....
Os mais receosos falarão das fofocas, dos pudores desse meu imagético vilarejo, mas prefiro pensar que isso é simples frente aos percalços da vida moderna.
Quero tomar café em mesa farta na casa de comadre. Quero falar com respeito dos meus antepassados. Quero guardar a sete chaves o segredo da receita do bolo da minha avó. Quero a igrejinha...o perfume das laranjeiras, o vilarejo  em cima da montanhas, dançar forró, esperar a reunião da primaiada nas férias, reunir as amigas para discutir modelos de roupa e cores de tecido. Quero  dar  "bom dia" para as pessoas que passam e, principalmente, acreditar que a vida sempre nos trará coisas boas, surpresas mágicas: na próxima chegada de ônibus, no que vir no "depois das montanhas", na safra das próximas chuvas, em cada começo de ano, em cada recomeço do trabalho.

Vila rejo (Marisa Monte)

(...)
Lá o tempo espera
Lá é primavera

Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção

Tem um verdadeiro amor
Para quando você for



sexta-feira, 16 de abril de 2010

Por que adoro sextas-feiras...

“Não sei se vocês já sentiram, leitores, a obrigação de ser feliz que vem embrulhada nas tardes de sexta-feira. É como uma imposição: quem não for estupidamente feliz, entre num bar e beba um vermute com amendoim e se embriague como nos doces tempos de outrora”.

Roberto Drummond

terça-feira, 6 de abril de 2010

As palavras e o tempo

Outrora escrevi um texto a lápis.
Voltei para cobrí-lo de tinta como forma de deixá-lo, pelo menos por um tempo, protegido das peripécias do tempo.
O tempo....
Ele já tinha começado a tecer suas teias viscerais e minhas palavras já começam a se apagar.
Misturadas, não permitiram a devida leitura.
Não consegui reler o que escrevi naquele tempo.
O tempo realmente apagou as letras, ou fui eu quem me apaguei daquelas remotas palavras?