segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Entre o silêncio e a palavra quase sempre opto pela segunda alternativa. Vivo em busca da palavra que designa meu ser, da melhor palavra para se levar a vida e do nome certo para tudo que vou sentindo e vendo por aí. Ainda assim, às vezes sinto-me "bicho do mato" acuado diante do novo. Bairrismo a parte, atribuo essa tendência introspectiva a Minas que mora em mim, a Minas na qual vivo, ao sertão nortemineiro com o qual convivo desde a mais tenra idade e me ensinou a engolir a dor da seca ao mesmo tempo que vislumbro a beleza sinestésica do cerrado. Sem tentar ententer o motivo exato da presença em mim de uma parcela que prefere a omissão de palavras, compartilho com vocês uma letra de música com a qual sempre me identifiquei. Gosto de ouví-la na voz de Saulo Laranjeira.


Lamento Sertanejo
(Gilberto Gil)

Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.

Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cheiro de lírios

Havia o nervosismo, a responsabilidade, o trabalho! Mas, no espaço do evento, colocaram um arranjo de flores... Meu nervosismo ficou com cheiro de lírio. Isso fez toda a diferença...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Travessia

Ultimamente ando com uma vontade louca de me espiar. Queria poder ir até o futuro e me ver numa situação cotidiana daqui a uns anos. Descobrir se continuei eu mesma, se consegui cumprir minhas próprias metas e alcançar meu sonhos. Mas tenho que me contentar com minha situação humana de eterna esperança. Não dar para prever o futuro então o melhor é mesmo aproveitar a "travessia". Só sei de mim no presente. O futuro é sempre uma ave sem rumo. Ou com o voo já traçado? Não sei. Pertenço mais às interrogações do que às certezas.   

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

No feriado de ontem, depois de cumprir o ritual de conversar com meus mortos, aproveitei a chuvinha sempre supreendente neste sertão nortemineiro para assistir ao filme Julie e Julia. Filme encantador! Baseado em dois livros escritos em tempos bem distintos, ele aborda a forma como Julie, uma funcionária pública americana entediada com o trabalho e seu fracasso na tentativa de tornar-se uma escritora, já que não consegue terminar nada que inicia, encara um desafio: cozinhar todas as receitas francesas do famoso livro de Júlia Child e postar todas as experiências num blog . A empreitada era gigantesca para quem trabalhava o dia inteiro, chegava em casa mais 08 da noite e teria que preparar 536 receitas em 365 dias. Apesar do desânimo de alguns momentos, Julie consegue finalizar a atividade, o blog torna-se famoso, transforma-se num livro e , em 2009, nesse filme.
Para quem gosta do prazer de cozinhar, e, sobremaneira, de comer, o filme é um deleite. Leve, engraçado e edificante. Mostra, paralelamente, a força de persistência de duas mulheres: No passado, Julia Child na tentativa de publicar seu livro de receitas que tornou-se um sucesso e a levou também para a função de apresentadora de um programa de TV sobre culinária; e a determinação de Julie que, mesmo tendo inicialmente como leitora apenas a mãe, insiste no desafio por saber que isso a tornaria uma pessoa melhor, capaz de cumprir suas próprias metas. Agora quero ler os dois livros: a biografia de Júlia Child escrita pelo marido e as experiências de Julie relatadas pela própria. É muito bacana observar o quanto as histórias "renderam" com a era digital. Se inicialmente pensávamos que o computador acabaria com o livro, hoje assistimos a uma roda viva na qual as histórias vão se multiplicando. O blog Para Francisco, por exemplo, do qual sou fã, nasceu do luto da publicitária mineira Cristiana Guerra. Grávida, ela perdeu seu companheiro e para registrar as lembranças do amor entre eles com o intuito de mostrá-las posterirmente ao filho Franscisco, criou o blog que mencionei acima, cheio de vida, dor e muita beleza na escrita. Resultado? O blog passou a ter muitos seguidores emocionados com a escrita e história de Cris e trasnformou-se também no livro Para Francisco. Quem sabe um dia venha a ser um filme?
Só para citar aqui outro exemplo, a escritora Clarah Averbuck também começou escrevendo um blog, depois publicou livros e eles foram transformados em filme. Sem querer discutir aqui a qualidade dessa literatura surgida no universo cibernético, gosto muito de ver as histórias se ecoando. Esse fato lembra-me os contadores de histórias que pegam uma narrativa de um lugar, espalham-na em outro de forma já modificada e as palavras vão se tecendo por aí... No fundo, no fundo, todas as histórias, inclusive a própria vida, é uma grande rede tecida de palavras.

sábado, 7 de agosto de 2010

Felicidade

A felicidade é o bater de asas de um pássaro colorido que às vezes vem me visitar. Ele nunca avisa quando virá, tampouco tenho presságios sobre sua chegada. Não há toques de trombeta, o tempo não para ...
Mas recebo-a como dama mais do que merecedora de sua visita. Não faço perguntas! Jamais! Para não assustar o voo macio que traz meu sorriso.Às vezes esse pássaro encantado faz seu trajeto rumo a minha felicidade através de música, outras vezes usa algumas palavras escritas ou o olhar de um amigo. Tal ave mágica também traz minha felicidade através de uma gota minúscula de esperança colhida em fontes do além. Também me visita através das frases de crianças surpresas no tudo descobrir. Ele sempre traz um pedaço de mim perdido em remotos lugares. Sei que é um pássaro frágil. Sei que vai perdurar pouco seu voo de felicidade diante dos meus olhos. Ele fugirá todas às vezes que eu tentar eternizá-lo ao meu lado. Mas ele volta!!! O FRÊMITO VOO DA FELIDADE SEMPRE VOLTA...